segunda-feira, 18 de abril de 2016

Um bem maior

Eu era criança e lembro da minha mãe, pai, tios e avó com o broche de uma estrelinha vermelha preso na roupa. Eu queria uma. Ganhei uma lilás (que representa as mulheres no Partido) e anos mais tarde uma vermelha. Ganhei também uma blusa onde homens de terno jogavam "sujeira" em direção ao céu e algumas crianças de uma forma muito lúdica subiam em escadas e colocavam aquelas mesmas estrelas que tínhamos nas roupas no céu negro. Havia a inscrição: Eles inventaram a noite, e nós, as estrelas. Lá em casa falávamos sobre política e o cartaz do Lula ficava exposto até depois das derrotas nas urnas. Era uma maneira de dizer que havia esperança. Realmente acreditávamos nos ideais do Partido dos Trabalhadores. Todos meus votos para presidente foram do Lula e da Dilma.


Lembro também do impeachment do Fernando Collor. Lembro de comemorarem lá em casa. Mas acho que o normal para um país que vive esse processo é (na falta de outra palavra) ressaca. Porque o Collor podia ser festejado e o PT não? Não é isso... O PT tem uma história que representa uma luta linda e vitoriosa. Uma luta pelo povo. Lula e Dilma marcaram nossa história. O primeiro, o cara. O cara que não era doutor, mas movia o país com sua paixão, que no discurso da posse disse que não sossegaria enquanto existisse um brasileiro que não fizesse as quatro refeições básicas por dia. Um brilhante analfabeto. A segunda, uma mulher. Uma sobrevivente. Fortalecida pela mesma luta. Pela briga pela democracia... 



Mas aí veio o Mensalão. Depois o Petrolão, as pedaladas...



Uma sessão para destituir a presidenta acontece perante os presidentes do legislativo e judiciário e realizado por um congresso vergonhoso, mas eleito pelo povo. Está dentro do que a Constituição prevê. Agora quem decide é o senado. A Constituição lhes dá essa oportunidade. Funciona assim em qualquer democracia presidencialista. O que o Senado decidir, está decidido. Um julgamento político. Puramente político, como a Constituição prevê...



Essas são as regras do jogo. Precisamos é de força para mudá-las. Sente nojo de política? Sente vergonha? É legítimo. É Justo. Os deputados não sabem concordância? O Lula também não. E há quem diga que foi um presidente altamente competente. Bolsonaro é um fascista imbecil? SIMMMMMM. Cunha é a personificação de corrupção? Um calhamaço de evidências diz que sim, mas não foi condenado.



E os outros todos citados na Lava Jato? Vamos cobrar do STF! Legislativo e Executivo não tem culpa desta vez... 



Hoje carrego uma tristeza. Uma sensação de fracasso... Ver tudo que eu cresci acreditando se esvaindo e se transformar em um espetáculo bizarro armado foi frustrante. Chamem de golpe, de tchau querida... Os fogos comemorando a abertura de um processo como esse me causa um baita desânimo. Assim como os vizinhos se ofendendo, os amigos de vida e de redes sociais querendo vencer com ódio e sangue... Sim, eu me ofendo a cada vai tomar no cú petralha, a cada menção que quem defende a permanência do governo ganha alguma coisa, me marginalizam por acreditar, me ofendo quando o exército de bolsomitos me agride justamente pelo que me orgulho, ser: completamente diferente do "mito". Meu poder de argumentação é dos bons, meu intelecto é bastante desenvolvido, mas me dá preguiça e calo diante de tanto ódio e baboseira... Por um bem maior... Meu sono é tranquilo.




Com a palavra, meu irmão...

Todo o esforço (vão, mas necessário) de ser imparcial vai por água abaixo quando eu vejo a mágoa no olhar da minha mãe e da minha irmã por toda essa situação. Eu tenho um pouco mais de frieza, e tento (também em vão) não me envolver muito emocionalmente com assuntos de política, de forma que nunca bloqueei nenhum único amigo durante essa crise, nem lembro de nenhuma discussão que tive que não tenha terminado bem, mesmo na discordância. Faz muito tempo, contudo, que deixei de opinar, parte porque acho que tenho uma retórica muito agressiva, espertinha demais, o que só me faz receber likes e ser ouvido por pessoas que previamente concordam comigo. No final, era só um exercício de vaidade.

As ideias que sigo, contudo, são maiores que um partido ou uma eleição. É possível separar o Lula enquanto signo (operário que chegou a presidência e iniciou um processo de aceleração do pagamento das nossas dívidas sociais) do Lula real. É possível separar o que significa ter uma mulher como presidenta da sua administração do Executivo. Eu não sei o que faz um ou outro ser mais ou menos sensíveis a questões de classe e de gênero mas, definitivamente, isso é um nervo exposto na minha família e Lula e Dilma são, nesse sentido, símbolos importantes e imperfeitos do que a gente acredita. 

Existe um abismo gigante entre isso e ser a favor das coisas que o PT fez de ruim. 

Isso é a identidade delas e de muita gente, mas progressismo ainda é minoria nesse Brasilzão conservador. E agora, no apogeu dos resultados das decisões erradas dos que se passaram por progressistas para conseguir os votos dessa gente que eu amo, essa própria identidade é marginalizada e elas estão chocadas com amigos e família demonstrando o pior de si. A gente fica de boca aberta ao ver tanta gente querida ceder a radicalismos. Radicalismos sutis, às vezes, como os textos cheios de contorcionismo retórico que tentam desqualificar o governo Lula (ah, surfou a onda do FHC!), ou radicalismos reacionários propriamente ditos (#bolsomito). 

E agora, esse impeachment amargo catalisa uma sensação de derrota, sim, mas quando olhamos pro lado e vemos quem perdeu conosco, ficamos tranquilos de combater o bom combate. Nosso sono ainda é tranquilo.

Eu, por minha vez, fico numa situação complicada. Quero que a casca delas engrosse, que aguentem com força tudo isso, que se empoderem. Ao mesmo tempo, queria ser um escudo pra protegê-las das merdas que esses pela-sacos que não aguentam meia hora de ideia comigo falam.  




Pela primeira vez publico um texto do meu irmão. Ele é o Roberto, carioca, vascaíno, lindo, inteligente, simpático e com uma irmã bem braba!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Acreditar...

Fui perguntada se eu achava possível se apaixonar de novo...Uma tarefa difícil com certeza. Porque acredito que com o tempo a paixão não é mais aquela coisa das borboletas no estômago, a necessidade ardida de estar junto. É algo maior. Se torna amor. me lembro de ter visto em algum artigo desses sobre relações que se uma relação dura um ano isso indica que as pessoas envolvidas se amaram. Não sei se concordo. Mas acho que pode ter algum fundamento porque no auge da paixão tudo é aceitável. Os defeitos ficam escondidos e gente mesmo arruma desculpa para os defeitos do outro. Aquela mania chata passa batida, todo atraso é aceitável... Eu por exemplo não consigo comer na frente da pessoa. #ridicula
Depois, com o tempo, intimidade, convivência, as coisas vão meio que se tornando mais naturais. As frescuras deixam de existir. Algumas pessoas fazem até xixi de porta aberta... Sou muito romântica. Acredito que o amor é o que prevalece, mas a paixão é algo que precisa ser alimentado. Inflado. Precisa para que o amor não se torne amor de amigos, irmãos. O que ser feito? Acho que pode começar lembrando de como era lá no início. O que era feito para chamar a atenção um do outro? Aquele banho de chuva cheio de gargalhadas, o toque, cheiros, realmente imitar o que era feito antes, reviver aquelas situações felizes, buscando novas...
Ave maria, me chame de boba, lunática, iludida, cafona. Mas eu acredito mesmo no amor. Pra sempre.