Falando assim parece meio difícil de entender, mas é simples. Basta tirar o bloqueio sentimental e racionalizar os fatos. O sentimento entre os dois não é o mesmo. Não deu. Mas é que o que achamos simples olhando de fora aconselhando uma amiga não é gostoso de assumir quando nós somos os não correspondidos. É estranho assumir que quem escolhemos gostar, não gosta da gente do mesmo jeito...
O pior é que isso fica muito claro. Qualquer um nota se o outro quer fazer parte ou não da nossa vida, logo o inevitável coração partido não é culpa de ninguém. Bem, talvez daquele que preferiu não notar os indícios que estavam piscando igual a um letreiro luminoso. Quem manda insistir numa relação que não é reciproca? Quando se começa a sair com uma pessoa pode virar algo legal, pode virar um daqueles amores tomados de companheirismo típicos dos filmes da Julia Roberts, como pode ser apenas curtição. O tempo vai esclarecer. Mas se com o passar as vontades já não são as mesmas, por que insistir numa relação fadada ao fracasso?
Você pode ser a divertida, a zen, a pessoa mais legal para sentar num boteco e jogar papo fora, sentir um tesão absurdo, mas não é você que faz o outro sentir borboletas no estômago. Não é por você que o outro pegaria um puta transito só para um chopp... Ou cruzaria a cidade com a desculpa que adora aquele bar. Não é você.
O bacana de uma relação é a necessidade de estar junto. A vontade louca, a saudade... Se chega o ponto de precisar barganhar, mendigar, insistir, tudo perde o sentido.
Quanto mais a gente se engana e investe em uma relação solitária maior é o desgaste, as expectativas, o tombo e o sofrimento. O sofrimento é opcional? Não sei... Existe uma maldita névoa que só nos permite enxergar o que queremos. Inventamos desculpas para o desaparecimento do bom dia diário, da preocupação que esteja se alimentando bem, do cuidado, do pipocar de mensagens, do frango à passarinho picadinho para agradar quem não gosta de nada com osso, culpamos o excesso de cobrança no trabalho, doença... Está tudo claro. Mas você já havia se apaixonado, compreensível. Problema todo seu. Agora aguenta. Não adianta se enfiar em um coitadismo exagerado nem apontar um culpado, bancar a traída ou a iludida... Quando a vontade de estar junto é só de um lado a relação perde o propósito.
Agora é se jogar com tudo dentro de uma caixa de bombom e chorar de desidratar no travesseiro. Com o tempo a sensação de bolo na garganta some, a mágoa abranda e tudo volta ao normal.


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