quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Para lembrar

Em que momento amar virou cafona? Preferia quando se apaixonar, declarar ou até mesmo sofrer fazia parte de viver. Sentir frio na barriga, vontade de estar junto, se decepcionar ou ter um sorriso no canto da boca cantarolando não era sinônimo de ser trouxa. Acredito que quem não se permite ter essas sensações e viver este sentimento não vive por inteiro. Prefiro acreditar que amar ainda é a escolha certa. Deixa a pele bonita, olho brilhando, bom humor constante... Penso nas pessoas que decidiram que amar é tosco. Porque mesmo já tendo sofrido por amor eu escolho recomeçar, amar de novo... Amor me faz bem. Me aquece. Uma vez, ainda adolescente e sofrendo por um namorado problemático meu pai me colocou sentada para uma conversa sobre relacionamentos. Esperava aquele velho sermão sobre se amar primeiro e se valorizar, mas não. O discurso foi exatamente sobre o lado bom do amor. De como ele deve ser e me fazer sentir. E era aquilo que eu realmente esperava! Ok, na verdade foi um discurso sobre amor próprio disfarçado, mas surtiu efeito. O namoro acabou, vieram outras paixonites e eu sofri de novo... E todas as vezes que vou recomeçar eu lembro do sofrer. As noites em claro, o choro agarrado, a sensação de fracasso. Da ansiedade da espera, de olhar o celular a cada 30 segundos esperando mensagem nova... E lembro também da sensação de receber a mensagem nova! De ser especial para alguém, de ter um colo e um cafuné grátis e ilimitado, do silêncio juntinho... Tantos antônimos! Não se é trouxa por tentar, acreditar, se entregar. Não saberei se não for. Posso estar perdendo "A história" da minha vida. Mesmo que não dê certo. Uma amiga disse que se permitiu a esse amor que toma conta uma vez... O casamento acabou e ela sofreu. O saldo? Duas lindas filhas. Valeu ou não? A forma dela amar mudou. Ela usava a desculpa (defesa) de ter preguiça de viver tudo de novo... Até que chegou alguém que fizesse ela (mesmo relutante) tentar... Hoje vivem um amor calmo. Definição dela. 
Não existe maneira certa ou errada. Calmo ou acelerado, leve ou impactante como um meteoro, a maneira certa é se permitir. Custa nada tentar. 

sábado, 19 de setembro de 2015

Hora de assumir

Falando assim parece meio difícil de entender, mas é simples. Basta tirar o bloqueio sentimental e racionalizar os fatos. O sentimento entre os dois não é o mesmo. Não deu. Mas é que o que achamos simples olhando de fora aconselhando uma amiga não é gostoso de assumir quando nós somos os não correspondidos. É estranho assumir que quem escolhemos gostar, não gosta da gente do mesmo jeito...
O pior é que isso fica muito claro. Qualquer um nota se o outro quer fazer parte ou não da nossa vida, logo o inevitável coração partido não é culpa de ninguém. Bem, talvez daquele que preferiu não notar os indícios que estavam piscando igual a um letreiro luminoso. Quem manda insistir numa relação que não é reciproca? Quando se começa a sair com uma pessoa pode virar algo legal, pode virar um daqueles amores tomados de companheirismo típicos dos filmes da Julia Roberts, como pode ser apenas curtição. O tempo vai esclarecer. Mas se com o passar as vontades já não são as mesmas, por que insistir numa relação fadada ao fracasso?
Você pode ser a divertida, a zen, a pessoa mais legal para sentar num boteco e jogar papo fora, sentir um tesão absurdo, mas não é você que faz o outro sentir borboletas no estômago. Não é por você que o outro pegaria um puta transito só para um chopp... Ou cruzaria a cidade com a desculpa que adora aquele bar. Não é você.
O bacana de uma relação é a necessidade de estar junto. A vontade louca, a saudade... Se chega o ponto de precisar barganhar, mendigar, insistir, tudo perde o sentido.
Quanto mais a gente se engana e investe em uma relação solitária maior é o desgaste, as expectativas, o tombo e o sofrimento. O sofrimento é opcional? Não sei... Existe uma maldita névoa que só nos permite enxergar o que queremos. Inventamos desculpas para o desaparecimento do bom dia diário, da preocupação que esteja se alimentando bem, do cuidado, do pipocar de mensagens, do frango à passarinho picadinho para agradar quem não gosta de nada com osso, culpamos o excesso de cobrança no trabalho, doença... Está tudo claro. Mas você já havia se apaixonado, compreensível. Problema todo seu. Agora aguenta. Não adianta se enfiar em um coitadismo exagerado nem apontar um culpado, bancar a traída ou a iludida... Quando a vontade de estar junto é só de um lado a relação perde o propósito. 
Agora é se jogar com tudo dentro de uma caixa de bombom e chorar de desidratar no travesseiro. Com o tempo a sensação de bolo na garganta some, a mágoa abranda e tudo volta ao normal.

sábado, 12 de setembro de 2015

O vazio da infelicidade

Ser feliz é uma sensação. Ser infeliz também. Enquanto uma te traz euforia e um eterno sorriso no rosto, a outra te consome com o bolo na garganta e o vazio no estômago. A perna fica fria e os ombros tensos. É como torcer para não chegar o final de semana. Não terei a desculpa de levantar da cama para trabalhar, meu dia não terá ocupação para as horas passarem, minha cabeça ficará livre para se enfiar na auto piedade irritante... Nesse tempo dias de sol não são bem vistos e tão pouco a proximidade do dia do aniversário. O vazio da infelicidade é cruel. O dia não passa, tudo se arrasta... Dorme-se o dia inteiro e parece que não se passam cinco minutos.
Não existe interesse em nada. A sensação é da vida passando lá fora e você deitado em um quarto escuro. Perdendo tempo. Perdendo um tempo que não volta. Fazendo da vida apenas mais um dia quando ela deveria ser vivida.