Em que momento amar virou cafona? Preferia quando se apaixonar, declarar ou até mesmo sofrer fazia parte de viver. Sentir frio na barriga, vontade de estar junto, se decepcionar ou ter um sorriso no canto da boca cantarolando não era sinônimo de ser trouxa. Acredito que quem não se permite ter essas sensações e viver este sentimento não vive por inteiro. Prefiro acreditar que amar ainda é a escolha certa. Deixa a pele bonita, olho brilhando, bom humor constante... Penso nas pessoas que decidiram que amar é tosco. Porque mesmo já tendo sofrido por amor eu escolho recomeçar, amar de novo... Amor me faz bem. Me aquece. Uma vez, ainda adolescente e sofrendo por um namorado problemático meu pai me colocou sentada para uma conversa sobre relacionamentos. Esperava aquele velho sermão sobre se amar primeiro e se valorizar, mas não. O discurso foi exatamente sobre o lado bom do amor. De como ele deve ser e me fazer sentir. E era aquilo que eu realmente esperava! Ok, na verdade foi um discurso sobre amor próprio disfarçado, mas surtiu efeito. O namoro acabou, vieram outras paixonites e eu sofri de novo... E todas as vezes que vou recomeçar eu lembro do sofrer. As noites em claro, o choro agarrado, a sensação de fracasso. Da ansiedade da espera, de olhar o celular a cada 30 segundos esperando mensagem nova... E lembro também da sensação de receber a mensagem nova! De ser especial para alguém, de ter um colo e um cafuné grátis e ilimitado, do silêncio juntinho... Tantos antônimos! Não se é trouxa por tentar, acreditar, se entregar. Não saberei se não for. Posso estar perdendo "A história" da minha vida. Mesmo que não dê certo. Uma amiga disse que se permitiu a esse amor que toma conta uma vez... O casamento acabou e ela sofreu. O saldo? Duas lindas filhas. Valeu ou não? A forma dela amar mudou. Ela usava a desculpa (defesa) de ter preguiça de viver tudo de novo... Até que chegou alguém que fizesse ela (mesmo relutante) tentar... Hoje vivem um amor calmo. Definição dela.
Não existe maneira certa ou errada. Calmo ou acelerado, leve ou impactante como um meteoro, a maneira certa é se permitir. Custa nada tentar.
